Conto "O Indicador" - Capítulo 3

No domingo, após o almoço, nós nos encontramos na portaria do meu prédio. Queríamos chegar ao tal lugar à tardinha, protegidos pelo crepúsculo.

E foi uma longa viagem, por caminhos onde o carro quase não passava. Só parávamos para atender aos chamados da natureza e para beber água.

Rodamos muito até chegar ao fim da linha para o carro, A frente havia um caminho que subia por um morro bem alto e só dava para seguir a pé.

Claro que não seria tarefa fácil. Além da dificuldade causada pela evidente falta de preparo físico, ainda tínhamos a preocupação com a volta, pois era inverno e estava escurecendo bem rápido.

Encostamos, travamos as portas do carro e seguimos em frente. Havia um morro a vencer.

Estávamos a mais ou menos quatro horas de Juiz de Fora, pela pior estrada que eu já tinha passado. Enquanto subíamos o morro, eu me dei conta do silêncio que reinava naquele lugar.

Chegando ao topo, avistamos lá embaixo um galpão do tamanho de uma quadra de futsal, cercado por muros muito altos. Já estava bem escuro, mas dava para ver algumas luzes acesas.

Continuamos nossa caminhada, agora morro abaixo. Quando já estávamos no meio do caminho, vimos três caminhonetes de tração 4x4 descendo a encosta pelo lado contrário ao que estávamos. Certamente, haviam passado por um caminho ao qual curiosos não tinham acesso.

Vimos de longe elas chegando ao portão, que imediatamente se abriu para sua entrada. Sabíamos que ele não se abriria assim para nós.

Nós nos olhamos em silêncio e seguimos em frente. Não seria fácil entrar naquele lugar, mas mesmo sem trocar uma palavra, tínhamos certeza de que não desistiríamos.

Quando chegamos bem perto do muro. Dava pra ouvir o barulho de um gerador a óleo funcionando incessantemente dentro do galpão.

Fomos nos esgueirando pelo paredão de cimento grosso até chegarmos ao fundo da instalação, onde nos deparamos com um portão de metal reforçado e um pequeno painel eletrônico com leitor biométrico.

Naquele momento, meu colega de aventura pegou do bolso do casaco de couro uma pequena caixinha térmica com alguma coisa dentro. Quando ele retirou o estranho conteúdo da embalagem, vi que era um dedo humano.

Onde você conseguiu isso? - perguntei. Ele me disse: “não importa. O que interessa agora é entrarmos aí”. Naquele momento, entendi que estava sendo usado e que ele provavelmente sabia mais do que havia me dito até ali.

Olhei para ele e percebi o desespero em seu olhar. Resolvi seguir em frente e deixar as perguntas para depois.

Ele então usou o macabro conteúdo do saco plástico para abrir o pesado portão, o que aconteceu ao primeiro contato.



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