Conto "Um conto de phodas"
Era uma vez, uma bela princesa que passeava feliz pelos jardins do seu palácio.
Subitamente, ao chegar próximo à Fonte dos Desejos, se deparou com um sapo.
Assustada, quis correr, quando ouviu uma voz desesperada:
- Princesa! Princesa!
Voltou-se, e percebeu que a voz vinha do sapo.
“Quem é você?” perguntou a bela jovem.
- Sou um príncipe, que foi transformado em sapo pela malvada Bruxa!
“Oh!”, disse a princesa, surpresa. E se aproximou do nojento bicho. “O que você quer de mim?” Balbuciou a inocente majestade.
- Me dê um beijo, quebrando o feitiço, e voltarei a ser quem eu era antes!
Ela se afastou, com certo asco. O sapo retornou e insistiu:
- Por favor, bela princesa! Essa vida de sapo é muito cruel!
Depois de pensar por alguns instantes, resolveu ajudar o batráquio. Se abaixou, ainda meio duvidosa, e recolheu o sapo em suas delicadas mãos.
Fechou os olhos, para diminuir o nojo e o sofrimento. Esticou os rosados lábios, formando um generoso beicinho. O sapo correspondeu com sua grande e viscosa boca.
E, o beijo se deu!
PLUFT!
E, ela falou:
- Meu belo príncipe!
“Minha bela princesa!” Coaxou o sapo.
Moral da História: não tem moral. É assim mesmo.
Conto "O Padre"
Trancou tudo, guardou as chaves no bolso da batina e retornou pela parte central, caminhando lentamente sobre o tapete vermelho em direção ao altar. Ao chegar no primeiro degrau parou, olhou para a imagem de Cristo, lá no alto, dobrou um dos joelhos e fez o sinal da cruz, respeitosamente. Ato contínuo, se dirigiu à sacristia, à sua esquerda.
Era uma quarta-feira e, neste dia da semana, ele não celebrava missas, após as 14:00 horas.
Abriu a porta da sacristia lentamente, rompendo com a penumbra impressa pelas cortinas fechadas. Tocou o interruptor e acendeu a luz. Com o mesmo ar de soberba de sempre, ela estava lá, sentada no sofá. O padre dirigiu-se até sua mesa de trabalho, bem em frente a ela. Retirou as chaves do bolso, colocou-as próximo à sua agenda e virou-se para o espelho. Era uma peça antiga, grande, límpida, com madeira trabalhada a mão compondo a moldura. Embora muito bonito, não se explicava um espelho daquele tamanho numa sacristia.
Por alguns segundos, ele a viu pelo reflexo. Quieta, tinha sobre ele um olhar direto e frio. Era sempre assim, já havia uns oito meses, desde o primeiro encontro. Ele foi tomado por um desconforto inicial, balançou a cabeça nervosamente, e começou a se despir. Retirou a batina preta e a colocou cuidadosamente pendurada no encosto da cadeira. Depois foi a calça, que ficou sobre a batina. Não usava cueca. Naquele momento somente a túnica branca, completamente branca, pendia sobre seu corpo. Foi caminhando para o sofá, do lado oposto ao que ela estava, retirou a túnica e a deitou sobre o braço do móvel. Todo gesto parecia uma liturgia, até aquele olhar silencioso que partia dela.
Retornou alguns passos em direção ao espelho e olhou ao redor. Tudo era harmonia, todos os móveis antigos bem distribuídos e cuidadosamente encaixados naquela sua sacristia. Nada fora do lugar. Sabia que havia conquistado aquilo tudo durante os anos em que estava à frente da paróquia, naquela cidadezinha do interior. Respeitado, às vezes, até, idolatrado pelas suas colaboradoras. Fez tudo ficar, absolutamente, à sua maneira.
Agora, completamente nu, contemplava-se e pensava sobre a debilidade de seu corpo. “Setenta anos, e a força da gravidade joga tudo pra baixo.” Afagou a barriga, bastante protuberante, desceu a mão até a genitália, massageando-a. Contornou a cintura com as duas mãos, apertando os glúteos, aos poucos, até a base. De súbito, levantou as duas carnes e soltou. “Estava realmente murchando”, concluiu. Por isso tinha que se aproveitar.
Como se tivesse sofrido um solavanco, aprumou-se o quanto podia e, sem olhar para ela, foi até a mesa, abriu a primeira gaveta e retirou um exemplar da Bíblia. Uma fina edição alemã. Por entre suas páginas estava uma pequena chave. Com ela destrancou a última daquelas três gavetas.
Com um olhar furtivo para o sofá, retirou um pote de vidro, algumas folhas de guardanapo e uma pequena colher de café. Ao colocar tudo sobre a mesa, organizadamente, sorriu com o canto da boca.
Acostumada com o rito, ela deitou-se no sofá, à sua espera. Coadjuvante figura. E o padre continuou. Abriu o pote que continha mel, recolheu um bocado com a colherzinha e, com uns guardanapos, segurou o pênis. Aos poucos besuntou-lhe a cabeça, tendo o cuidado de não deixar pingar no chão.
Estando já o órgão todo lambuzado, foi para o sofá. Deitou-se, apoiou a cabeça sobre a alva túnica, levando uma das pernas para o encosto do móvel. A outra perna apoiada no chão. Sempre tremia nessa hora. E ela sabendo do que ele gostava, vinha chegando-se lentamente. Ele tremia porque não confiava completamente nela. Nas primeiras vezes, talvez por se sentir forçada, ela o mordeu. Depois se acostumou. Parece mesmo que acostumaram-se. Era como um vício.
Quando ela começou, ele já transpirava e os tremores aumentavam. A túnica guardava suas marcas de suor. Ela não parava suas lambidas. O padre tinha espasmos e gemia baixinho. E convulsionava-se.
Quando acordou, completamente encharcado, ela já havia partido. Ele não se preocupava com isso. Era um acordo tácito. Olhou o espelho e viu um velho completamente extasiado. Um misto de culpa e prazer. Pensou que aquilo tinha que ter um fim. Mas, já havia pensado dessa forma antes, e nada fizera.
***
A festa junina movimentava a pequena cidade do interior mineiro. As beatas esmeravam-se para deixar tudo bem organizado e limpo, afinal o Bispo passaria por lá, antes de ir para a capital.
O padre dava ordens e distribuía tarefas, contente com os resultados. Tudo pronto para o grande dia. A banda da cidade, ensaiada, tocava renitente no coreto.
O carro que trazia o Bispo chegou e deu uma volta na pracinha, e os fiéis, respeitosamente postados ao redor da calçada, recebiam as bênçãos tão rapidamente quanto ele passava.
Na porta da frente da igreja, o padre, ansioso, desceu a escadaria para receber seu superior. Protocolo cumprido, foram os dois, braços dados, igreja adentro. A festa lá fora.
No silêncio daquele sacrossanto ambiente, o padre segredou algo ao Bispo, que fez sinal para seus oficiais acompanhantes, fazendo-os estancar onde estavam.
Os dois clérigos se dirigiram ao confessionário. O Bispo entrou, o padre se posicionou de joelhos junto à janelinha de treliças. O suor descia pela testa e pela nuca daquele homem cansado.
Algum tempo depois (tempo que beirou o infinito), terminada sua confissão, o padre se levantou com dificuldade, cabisbaixo e com certo desânimo. Dois passos tinha dado quando escutou:
_ Padre...
Retornou, quase inconsciente à janelinha. E, ouviu do Bispo:
_ Padre, não se martirize tanto. Melhor que seja com uma gata que com uma criança.
E, emendou: “Vamos com Deus, padre. A festa nos espera”.
Polêmico e muito bem escrito.
ResponderExcluirMuito bom!!!!!!!!
ResponderExcluirAdorei um conto de phodas.
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